quinta-feira, janeiro 27, 2005

O primeiro de muitos

A Apple Computers está a processar alguns proprietários de sites na internet por publicarem informações sobre produtos ainda antes da própria empresa o fazer. A Apple desconfia de fugas de informação no seio da empresa, como é óbvio, e está a fazer o possível e o impossível para conseguir os nomes dos "bufos".
Segue-se a complicada interpretação da lei: uns protegem-se com a 1ª Emenda; outros garantem que houve apropriação indevida de informação por parte dos proprietários dos sites (alguns jornalistas, outros meros curiosos. Um deles tem apenas 19 anos e estuda em Harvard). Seja como for, como é que um site pode ser considerado "jornalístico" para estar sujeito às leis que protegem os jornalistas? Sim, porque o jovem de 19 anos que tantas dores de cabeça deu ao patrão da Apple afirma que usa as mesmas técnicas de recolha de informação usadas por jornalistas profissionais. E por que razão processar um jovem com uma pequena publicação online (que podia ser um blog) e não processar um grande jornal que, provavelmente, terá acesso à mesma fonte que o estudante de Harvard? E no final de contas... isto não será boa publicidade para a Apple?
O caso é interessante e não está nada longe da nossa realidade. É que, não tarda, temos empresas portuguesas a processar bloggers que avançam com informações cedo demais. E não são poucos os casos de jornalistas que têm acesso privilegiado a informações de agências noticiosas, por exemplo, e que as usam nos blogs pessoais... Há que ter cuidado, não?

O caso está bem explicado aqui.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Um artigo interessante

Reino Unido: os momentos chave no desenvolvimento do jornalismo digital nos últimos dez anos. Já tem a data de Dezembro, mas não perdeu actualidade (nem importância).

Journalists are no longer the sole providers of news.

So, is the future of online publishing in the hands of the weblogger as some of the hype would have us believe?


O texto completo de Colin Meek está aqui.

Portugal: um país encalhado

É sempre com bons olhos que vejo o aparecimento de novos projectos na área do jornalismo. É sempre sem surpresa que dou de caras com a dura realidade.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Serviço público??

A RTP e RDP entregaram hoje 1,560 milhões de euros, angariados através da "Operação Renascer", a seis organizações humanitárias portuguesas que integram as missões de ajuda às vítimas do maremoto no sudeste asiático.

Notícia completa no Público.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Sondagens ou encomendas políticas?

Não é nada de novo, mas desta vez a Alta Autoridade para a Comunicação Social decidiu alertar para aquilo que chama de "tentativas de manipulação da opinião pública". As eleições legislativas são em breve e, já se sabe, em política qualquer arma serve para ganhar votos. E não se pode dizer que a publicação de sondagens de opinião encomendadas seja uma arma sem importância. A questão é que quando os dados publicados não passam pela AACS estamos perante uma violação da Lei das Sondagens. Já para não falar na credibilidade duvidosa dos dados.
O alerta é bem-vindo, mas depois dos dados publicados pouco ou nada haverá a fazer. Há sempre uma percentagem de pessoas que desconhece a possibilidade de se tratar de uma encomenda política e que, por isso, fica vulnerável às informações veiculadas. Ganham os partidos.

Fonte: Público.

A associação Repórteres Sem Fronteiras quer chamar a atenção para weblogs que defendam a liberdade de expressão. Para isso, está a pedir a todos os utilizadores de internet para darem nomes de blogs que se destaquem como bons exemplos.
Mais informações, incluindo os critérios de selecção, aqui.

terça-feira, janeiro 18, 2005

Período de campanha eleitoral ganha tempo de antena

A RTP1 vai ter um programa dedicado ao período de campanha eleitoral. Todos os dias, à meia-noite, Judite de Sousa fará o resumo do que de mais relevante aconteceu nas últimas horas de trabalho dos partidos.

Duas dúvidas:
1. Como é que a RTP vai gerir o tempo dedicado às acções de cada partido? Será que não vamos assistir a uma tomada de posição (muito disfarçada, claro) da RTP?

2. Sendo conhecida a excelente relação entre o jornal Público e a RTP, como é que se explica que seja o DN a avançar com esta notícia? Ou será que o acordo entre Público e RTP é mais limitado do que parece?

Jornal "O Independente" dispensa equipa de fotógrafos

"O Independente" vai prescindir da equipa de fotógrafos e da secção de tratamento de imagem, avança o Público de hoje.
Nascem muitas dúvidas. Como é que o jornal pretende tratar as notícias daqui para a frente? Vai passar a trabalhar apenas com fotografias de agências? O número de notícias ilustradas não vai diminuir radicalmente? E o jornal não perde com isso? Em termos visuais, será que "O Independente" fica menos apelativo? Mais confuso? Como é que um jornal pode estar completo sem dar o seu ponto de vista através da fotografia?
O Público indica que "O Independente" terá registado, entre Janeiro e Setembro, uma descida do volume de vendas de 6,91 por cento, em comparação com o mesmo período de 2003. Dificuldades financeiras que levaram a medidas extremas.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Bloggers e fontes

Abrams considera que um "blogger" "que comunica e tenta fazê-lo com milhares de pessoas não merece menos do que um jornalista que pode comunicar com uma audiência mais reduzida num jornal local". Por isso, "deverá haver protecção desde que a informação seja obtida com o propósito de divulgação generalizada ao público, de forma semelhante ao que os 'jornalistas' fazem". Mas, salienta, os autores de blogues que apenas fazem comentários pessoais não deveriam ter esses privilégios.

Hoje, no suplemento "Computadores" do Público.

Post para fazer bem ao ego

O Público dá hoje a notícia das buscas da polícia francesa às redacções do L'Équipe e Le Point. O Primeira Página avançou com a mesma informação na sexta-feira. É mais um caso em que blogs levam a melhor sobre órgãos de comunicação social.

"36 mil mortos por ano. Podíamos evitar"

Alguém me explica a opção do DN para o título de primeira página de hoje?

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Enquanto por cá os nossos jornalistas são obrigados em Tribunal a denunciar as fontes, em França a polícia já chega ao ponto de fazer buscas nas redacções. Foi o que aconteceu em Paris, nas instalações do semanário Le Point e do diário desportivo L'Equipe. Para a Associação Repórteres sem Fronteiras, esta é uma nova forma de violação do dever de proteger as fontes. Nenhum dos principais diários portugueses menciona o caso (pelo menos na edição online).

Mais informações aqui.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

E se a figura do provedor tivesse um lugar nas televisões e rádios?

Gostei especialmente da notícia no Jornal da Noite de ontem sobre os galheteiros de azeite. Assim vale a pena ter blocos noticiosos com mais de uma hora.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Histórias da rádio

Como contar as histórias da tragédia no sudeste asiático tendo como única arma a voz?
Ainda hoje li no blogouve-se um texto que referia o facto de, muitas vezes, os ouvintes perceberem mal as mensagens transmitidas. Isso acontece por vários motivos e o post é bem explícito. O meu objectivo não era perder-me nas razões, queria apenas deixar a referência a um sítio onde se podem ouvir boas histórias, vindas de um jornalista que está (esteve?) no Sri Lanka.

Encontrei a informação aqui. Acesso directo por aqui.

Dois jornalistas do Expresso acusados de difamação

Fernando Madrinha e Rosa Pedroso Lima, jornalistas do Expresso, foram acusados pelo Ministério Púbico pela prática de dois crimes de difamação agravada do juiz José Manuel Simões de Almeida, avança hoje o Público.
E este é daqueles casos em que parece não haver muita esperança para os jornalistas...

Clube de Jornalistas completou um ano

A 11 de Janeiro de 2004 foi para o ar a primeira emissão do programa Clube de jornalistas, na Dois. Desde então já se debateram os mais diversos temas, com os mais diversos convidados. O segundo ano de programas começa hoje, pouco antes da meia-noite, com Pinto Balsemão como convidado central. A não perder. Este e os próximos.

terça-feira, janeiro 11, 2005

Os primeiros "jornalistas" no sudeste asiático foram as vítimas. Telemóveis, câmaras de vídeo, máquinas fotográficas, tudo serviu para fazer chegar informação ao mundo.

Um artigo da Online Journalism Review.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Balanço do ano

Associação Repórteres Sem Fronteiras avança com os números negros de 2004:

1. pelo menos 53 jornalistas morreram no terreno de reportagem;
2. pelo menos 907 foram presos;
3. 1.146 foram atacados ou ameaçados;
4. e pelo menos 622 órgãos de comunicação sofreram algum tipo de censura.

Os ataques terroristas e da guerrilha iraquiana (o Iraque é, de resto, o país mais perigoso para os jornalistas) foram os principais responsáveis pelos números, que aumentaram relativamente a 2003.

Críticas à cobertura jornalística do maremoto

O grupo de escritores e jornalistas "Empatados da Vida", constituído por Baptista-Bastos, Mário Zambujal, Fernando Dacosta, Mário Ventura, Eugénio Alves, José Manuel Saraiva e Vítor Bandarra, criticou a cobertura jornalística do maremoto que atingiu o sudeste asiático no dia 26 de Dezembro. Afirmaram à Lusa que o acompanhamento mediático foi "o melhor possível" e questionaram: "Estariam em férias os repórteres mais experimentados?".

Texto completo aqui.

Questões

Se a reconstrução das zonas afectadas pelo maremoto demorar dez anos a estar concluída, os meios de comunicação vão manter correspondentes no sudeste asiático durante esse tempo? Certamente que não. Mas quem é que decide quando um assunto deixa de ser importante? Para nós, portugueses, quando é que a tragédia que assolou a Tailândia, a Indonésia e tantos outros "paraísos", deixa de ter direito à grande maioria do tempo de antena? Quando já não houver portugueses desaparecidos? Quando os dirigentes políticos deixarem de fazer as habituais visitas e aquela região ficar novamente esquecida?
Penso que será um bom tema para debate. Será curioso seguir as televisões, rádios e jornais e acompanhar a diminuição do fluxo de informação sobre o maremoto e as suas consequências.

No DN de hoje, uma entrevista a Manuel Falcão, director de programas da Dois. Tocam-se em assuntos como o futuro da televisão, a polémica tentativa por parte do Governo de controlar os media, a ligação à sociedade civil e o inevitável balanço do primeiro ano de vida da Dois.

Ver aqui e aqui.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Are standards different for newspapers and television in tsunami coverage?

Television executives say their medium is different. Parents can better shield their children from gruesome images in a newspaper than they can when a television picture shows up quickly and unexpectedly, said Michael Bass, executive producer of "The Early Show" on CBS.

Dica de Ponto Media.

Ontem à noite a SIC informava que ainda havia um português incontactável no sudeste asiático. Rodrigo Guedes de Carvalho disse tratar-se de um luso-alemão residente em Paris e referiu ainda o nome da pessoa em questão. Imediatamente a seguir, na RTP, José Alberto Carvalho deu a mesma notícia, mas omitiu o nome do turista.
A minha questão é esta: há alguma regra no que diz respeito à omissão (ou não) dos nomes de pessoas vítimas de uma tragédia como esta? Ou trata-se apenas da política editorial?

segunda-feira, janeiro 03, 2005

É quase um fenómeno do jornalismo este de se fazer a mesma notícia todos os anos. Refiro-me ao "primeiro bebé do ano". É comum, por esta altura, ver, ler e ouvir nos vários meios de comunicação esta notícia.
Duas questões:
1. Tem valor informativo? Ou estamos apenas a dar aos leitores/telespectadores aquilo que eles estão à espera de saber?
2. Há esta "tradição" noutros países?

Sismo no Algarve

A notícia de abertura no Jornal da Tarde da RTP justificou-se por um motivo apenas: o enquadramento com a actualidade. Já se confirmou (como era de esperar) que o sismo no Algarve correspondeu à actividade sísmica normal da região. Ver aqui.

Aos leitores mais afoitos e menos pacientes (que já deram o Primeira Página como morto) deixo a promessa de alimentar a vossa fome de informação neste blog. Não sabia que tinha deixado tão boa impressão.

A RTP abriu o Jornal da Tarde com a notícia de um sismo que terá atingido o Algarve. Na minha opinião? A comunicação social aproveita-se dos últimos acontecimentos no sudeste asiático para dar destaque a tudo o que semear o medo. Posso prever as perguntas dos jornalistas aos algarvios: "receia uma onda gigante...?".

Sobre o "tsunami"

Estive longe (felizmente). De fugida, lá conseguia espreitar para um televisor à hora do almoço. E ontem pude estar mais atento ao que se tem passado, recuperar algumas leituras atrasadas e confirmar a maioria das suspeitas. O "tsunami" foi (como o 11 de Setembro em Nova Iorque e o 11 de Março de Madrid) apenas mais uma desculpa para se fazer mau jornalismo, como tem sido feito sempre que acontece alguma catástrofe. Mais uma vez as imagens da tragédia foram repetidas até à exaustão, muitas delas mostrando um vil desrespeito pelo telespectador. Um caso muito particular: num daqueles clips que as televisões gostam imenso de produzir, com música a condizer com a tragédia, a puxar à lágrima, as imagens de corpos (ou partes de corpos) foram usadas à descarada. Um dos planos mais chocantes mostrava um cadáver pendurado numa varanda. Tiveram o cuidado de o usar com menos tempo (talvez um segundo, não mais). Obrigado. Mas tiveram que o usar, porque, claro, ninguém perceberia a dimensão da tragédia se assim não fosse.
Repetiram-se as histórias de mães que perderam os filhos, arrancados dos braços pela força das águas; repetiu-se a macabra contagem dos mortos. Minuto a minuto; repetiu-se a exploração dos casos particulares, com atenção para os mais dramáticos; mais uma vez os turistas do ocidente mereceram particular destaque. Pergunto-me se o "tsunami" teria o mesmo destaque se não houvesse futebolistas italianos ou estrelas de cinema a passar férias no local. E pergunto-me se não teria muito mais destaque se acontecesse na costa dos Estados Unidos.
Ontem, na TVI, já se anunciava a entrevista com um casal português apanhado pela onda gigante. Mudei de canal.
Nada mudou. José Pacheco Pereira consegue dizer tudo isto numa expressão. "Masturbação da dor". Mais uma vez.