quinta-feira, fevereiro 24, 2005

Tive um professor de Jornalismo que numa das primeiras aulas perguntou: "Quem aqui já pensou em NÃO ser jornalista?". Não houve muitos braços no ar. Hoje, tenho a certeza que, por um motivo ou por outro, as respostas seriam diferentes. E muitos dos braços que hoje estariam no ar, seriam por motivos que este "mini-estudo" do Poynter anota.
E o que o Poynter fez foi dirigir um questionário com 42 perguntas a 750 jornalistas para tentar traçar um retrato das condições de vida destes profissionais. Aquilo a que chamaram de "work-life balance issues". Ou seja, estar a trabalhar quando todos os outros já estão em casa; trabalhar mais horas que todos os outros; não ter férias ou ter menos que o normal. Coisas do género que vão acontecendo um pouco por todo o lado, com maior ou menor intensidade, mas com muita frequência nesta profissão. Muito interessante.

Código de ética e de deontologia para o Congo

República Democrática do Congo (RDC) apresentou hoje oficialmente em Kinshasa um “código de ética e de deontologia do jornalista”, elaborado pelo Observatório dos Media Congoleses (Omec), um órgão de controlo e defesa interna da profissão.
Redigido pelo Omec a partir de propostas saídas de um congresso de “reformação da imprensa nacional”, que reuniu mais de 300 profissionais em Kinshasa, em Março de 2004, este código apresenta “os direitos e os deveres do jornalista congolês”.
O documento inclui “princípios e normas (...) que se vão impor como um código de honra”, felicitou hoje o presidente do Omec, Polydor Muboyayi Mubanga, em conferência de imprensa.


Também no Público.

Olivedesportos adquire Lusomundo Media

A Olivedesportos venceu a corrida à compra dos activos da Lusomundo Serviços, empresa que detém a Lusomundo Media.
A PT Multimédia anunciou no dia 15 deste mês que foram recebidas cinco propostas para a compra dos activos da Lusomundo Serviços.
As propostas foram feitas pela Controlinveste ("holding" do grupo Olivedesportos), Investec (Cofina) e Media Capital e pelos espanhóis Prisa e Vocento.

Última hora, no Público.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

O Público está com um aspecto muito agradável.

Na guerra das televisões, ganhou a RTP...

...diz o Diário de Notícias...

Em noite de eleições a estação de televisão pública venceu a guerra das audiências. A RTP1 conseguiu 13,3 por cento de audiência média e arrecadou a vitória para a mais longa transmissão das legislativas - cinco horas e meia.

...e o Público também!

A RTP1 conseguiu no domingo uma confortável vitória nas audiências da noite eleitoral, que lhe assegurou também um folgado primeiro lugar na quota de audiência do conjunto do dia - 30,6 por cento de "share", seguido de 27,0 na TVI e 23,0 na SIC - quando habitualmente ocupa a terceira posição, subindo no "ranking" geralmente em dias em que transmite jogos de futebol com grande audiência.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Na guerra das televisões, ganhou a SIC...

...diz o Público.

Fossem os três canais generalistas escrutinados sobre a cobertura da noite eleitoral e o mais certo era que a SIC vencesse claramente, deixando longe a RTP - sóbria mas monótona - e a TVI - eufórica mas errática.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Na imprensa fala-se de "Nossa Senhora". Na televisão os jornalistas que estão a fazer directos de Coimbra apresentam-se vestidos de luto. Ou será coincidência aparecerem todos de fato preto? O que é que isto diz do distanciamento dos jornalistas, da "sobriedade" de que falava ontem Eduardo Cintra Torres? Na política ou na religião, a coisa é a mesma.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

O puxão de orelhas

Sobre os "problemas nos estágios" da SIC, já referidos no Correio da Manhã, e nos blogs ponto media e jornalismo e comunicação (pelo menos), surgem, desde logo, duas questões? Porque é que os estágios em Jornalismo continuam a ser tão precários? Não será assunto para a esfera de preocupações do Sindicato?

Sobre a circular enviada aos estagiários da SIC, mesmo que a estação se defenda dizendo que quer incentivar os jovens jornalistas, não há desculpa para a linguagem utilizada. Porque não apostar num estágio de formação em vez de fomentar o trabalho gratuito? Afinal, na maioria dos casos, trata-se de um estágio curricular, um estágio que é complemento da licenciatura.

Algumas frases de "ouro" oferecidas pelo Correio da Manhã:
"Sabem portanto que uma oportunidade como esta – um estágio na redacção da SIC – vale ouro."

"Todos sabem claramente que uma redacção de televisão como a nossa, que integra profissionais da SIC, SIC Notícias e SIC Online, movimenta dezenas de profissionais, trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, e faz tudo isto a um ritmo que só um verdadeiro jornalista, empreendedor, dinâmico e apaixonado pelo seu trabalho, pode compreender e até gostar."

"No decorrer dos vossos estágios, surgem alguns entraves: ou pelas áreas a que estão afectos, ou pelos horários que vos são atribuídos, ou por outros interesses paralelos, ou mesmo por questões da vida pessoal de cada um. Com o devido respeito, permitam-me dizer-vos que tudo isto pode esperar!"

E a frase de Martim Cabral: “Existem certamente várias dezenas de jovens jornalistas a quererem substituir-vos...”

Eduardo Cintra Torres escreve no Público de hoje:

A campanha eleitoral na televisão é em parte aquilo que os partidos querem que seja. Não se pode pedir aos repórteres que falem de temas que os candidatos ignoram. O nível do discurso político transpõe-se para as reportagens.

E se o nível do discurso político é mau, se os temas importantes são ignorados, o assunto não deixa de ter interesse? Logo, não deixa de ser notícia?
Gostava de ver chegar o dia em que os jornalistas dariam uma lição aos políticos, remetendo a cobertura das eleições para o estritamente necessário. E digno de ser noticiado.

Cintra Torres fala também do distanciamento e "sobriedade" (ou falta deles) dos jornalistas televisivos na cobertura dos eventos que têm marcado este período de campanha eleitoral.

Há um ponto comum a todos os jornais que pude ler até agora. Na notícia sobre a morte da irmã Lúcia, Expresso, DN, JN e Público, falam de "Nossa Senhora". Não é mais correcto falar-se em Senhora de Fátima em vez de NOSSA Senhora de Fátima? Ou de repente o país inteiro tornou-se católico e ela passou a ser a senhora de todos nós?

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

A Nokia vai lançar um programa que permite fazer um blog no telemóvel.

Ver no el mundo.

O debate. "À americana", pois claro!

A minha primeira reacção foi de espanto. Porque não queria acreditar que o tão aclamado debate, o único entre os líderes dos principais partidos portugueses, fosse AQUILO. E AQUILO era um cenário azul, primário, com dois entrevistados que mais pareciam concorrentes do "Quem Quer Ser Milionário" (se as cadeiras subissem seriam do "Um Contra Todos"). As luzinhas indicavam o tempo que tinham para responder às perguntas dos "apresentadores". Se não respondessem no tempo previsto tinham penalizações. Como se não bastassem os "semáforos", os pobres dos entrevistados eram constantemente interrompidos por uma voz vinda do além: "30 segundos, Engenheiro José Sócrates"; "15 segundos, Doutor Santana Lopes".
É isto um "debate à americana"? É isto que se faz nos Estados Unidos? Foi isto que o Clube de Jornalistas preparou para os portugueses? E já não estou a falar só do cenário e do formato. Estou a falar das perguntas... preparadas, decoradas. Não houve lugar para a dúvida do momento. Estou a falar do papel insignificante a que os jornalistas foram reduzidos. Rodrigo Guedes de carvalho, o árbitro, e mais três árbitros auxiliares, que nem sequer apito tinham. Ricardo Costa e Maria Flor Pedroso tinham uma bandeirola, que usavam de vez em quando (muito de vez em quando); e o José Gomes Ferreira limitou-se a levantar a placa das substituições, tal deveria ser o espanto pelo que ali se estava a passar. Medíocre, meus senhores. Muito medíocre.
O debate não me agradou, mas, mais grave que isso, não me esclareceu relativamente às políticas de cada partido. Santana Lopes mostrou-se nervoso e inseguro. José Sócrates perdeu demasiado tempo a atacar Santana. Bem feitas as contas, provavelmente ganharam as outras forças políticas.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Depois dos "mega-jantares", uma "mega-operação" jornalística

A Dois, a Sic, a Sic Internacional, a RTP Internacional e todas as rádios interessadas, vão transmitir em directo e em simultâneo o único "embate" político entre Santana Lopes e José Sócrates. Hoje, entre as 20h30 e as 22h00, os líderes dos principais partidos respondem ao desafio do Clube de Jornalistas, que propôs para o debate um formato diferente. É o chamado "debate à americana", com tempo limite para perguntas e respostas e sem direito a interrupção por parte do opositor ou dos jornalistas.
Maria Flor Pedroso, do CJ, e Ricardo Costa e Gomes Ferreira, da Sic, foram os jornalistas escolhidos para conduzir o debate em estúdio. Rodrigo Guedes de Carvalho será o "árbitro", já que deverá garantir que se cumprem as regras do debate.
Será interessante ver como se safam políticos e jornalistas neste novo modelo. E esperemos que só o debate seja "à americana"... e não as políticas.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Nos Estados Unidos, um aluno do ensino secundário resolveu fazer um jornal livre do controlo da escola. Ao contrário do que se possa pensar, as restrições existem em todo o lado, a começar nos liceus e a acabar nas grandes publicações. É uma história curiosa.

Amanhã, no Clube de Jornalistas

"Estarão os portugueses a ter toda a informação de que necessitam sobre a responsabilidade humana nas catástrofes ditas naturais? Eugénio Sequeira, professor universitário, Luísa Schmidt, jornalista, e José Fragoso, director da TSF, debatem os critérios editoriais que promovem a cobertura da morbidez das catástrofes, mas não investem em jornalismo especializado, em jornalismo de investigação".