sexta-feira, fevereiro 04, 2005

O debate. "À americana", pois claro!

A minha primeira reacção foi de espanto. Porque não queria acreditar que o tão aclamado debate, o único entre os líderes dos principais partidos portugueses, fosse AQUILO. E AQUILO era um cenário azul, primário, com dois entrevistados que mais pareciam concorrentes do "Quem Quer Ser Milionário" (se as cadeiras subissem seriam do "Um Contra Todos"). As luzinhas indicavam o tempo que tinham para responder às perguntas dos "apresentadores". Se não respondessem no tempo previsto tinham penalizações. Como se não bastassem os "semáforos", os pobres dos entrevistados eram constantemente interrompidos por uma voz vinda do além: "30 segundos, Engenheiro José Sócrates"; "15 segundos, Doutor Santana Lopes".
É isto um "debate à americana"? É isto que se faz nos Estados Unidos? Foi isto que o Clube de Jornalistas preparou para os portugueses? E já não estou a falar só do cenário e do formato. Estou a falar das perguntas... preparadas, decoradas. Não houve lugar para a dúvida do momento. Estou a falar do papel insignificante a que os jornalistas foram reduzidos. Rodrigo Guedes de carvalho, o árbitro, e mais três árbitros auxiliares, que nem sequer apito tinham. Ricardo Costa e Maria Flor Pedroso tinham uma bandeirola, que usavam de vez em quando (muito de vez em quando); e o José Gomes Ferreira limitou-se a levantar a placa das substituições, tal deveria ser o espanto pelo que ali se estava a passar. Medíocre, meus senhores. Muito medíocre.
O debate não me agradou, mas, mais grave que isso, não me esclareceu relativamente às políticas de cada partido. Santana Lopes mostrou-se nervoso e inseguro. José Sócrates perdeu demasiado tempo a atacar Santana. Bem feitas as contas, provavelmente ganharam as outras forças políticas.

2 Comments:

At 10:58 da manhã, Blogger nibs said...

As "bolas com creme", na antena3, no dia a seguir tiveram mais piada...
"pq o que os portugueses querem saber é o que o senhor pensa acerca do casamento entre homossexuais!"
Eu quê???

 
At 2:05 da tarde, Blogger luisml said...

Já conhecia este modelo de debate desde que decidi passar uma noitada em Outubro do ano passado, à espera do debate da CBS entre Bush e Kerry.
É um modelo que tem como virtude a possibilidade de explanação das ideias... e como perversidade a quase impossibilidade de as rebater ou, no mínimo, de as esclarecer.
Acho, no entanto, que este debate, ao ter assumido como carácter único a sua "americanização" se embrenhou tanto na fragilidade da sua rigidez que perdeu interesse. Tornou-se anódino, amorfo.
Porque o debate "à americana" não reduz os jornalistas desta forma. As perguntas são difíceis e directas e percebe-se logo se o candidato está ou não "a dar a volta ao assunto". O problema é que no "nosso" debate os jornalistas aceitaram o seu papel de cordeirinhos ao serviço das regras... e penso que nem sequer as perguntas que prepararam eram suficientemente boas...

 

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