quarta-feira, abril 13, 2005

É bom que as verdades sejam ditas

"Em Portugal não há carreira de jornalista. O jornalista não tem saída. Cada vez mais o jornalismo é para ser exercido entre os 20 e os 40 anos. A partir dos 20, porque nessa altura ainda é ingénuo suficiente, ambicioso o suficiente para correr sem perguntar para onde nem como. No final, é simplesmente rejeitado borda fora, porque não há lugar para nós, a não ser a cooptação para serviços de controle e de administração. Carreira propriamente jornalística não há. Digam-me quem são os seniores jornalistas que estão hoje no activo em Portugal a exercer efectivamente a profissão...Eu gostaria de continuar. Mas como? A fazer o quê? Não há esse estatuto de jornalista. Isso não é reconhecido. Não há essa carreira. E sem isso, o topo da "carreira" de jornalista hoje em dia, no nosso país pelo menos, é ser conselheiro de imprensa numa embaixada."

Carlos Fino, ao Clube de Jornalistas. Ver mais aqui.

2 Comments:

At 7:49 da tarde, Anonymous paulo said...

Eu digo que ainda há um certo respeito e muitos bons profissionais. Existe sim um aproveitamento maldicioso por parte contratante e exploração dos profissionais acabados de saír da faculdade.
E ainda um clima de "medo" que se plantou no portugal jornalistico que é
"ou trabalhas com a cor e serventalismo" se não.... outro ocupa o teu lugar.
Penso eu de que...
Um forte abraço de

 
At 10:52 da manhã, Anonymous MárioPro said...

Talvez por essa e muitas outras razões se conclui que o jornalismo em Portugal é um loby poderoso e senão vejamos:

- Portugal, segundo um estudo da European Federation of Journalists de 2003, "Freelance Journalists in the European Media Industry" por Gerd Nies e Roberto Pedersini, Portugal apresenta a taxa mais baixa de freelancers e isto porquê? Fácil de concluir, pois se tomarmos em conta que para ser possuidor do Press Pass que é apenas atribuido por uma única entidade - CCPJ a quem faça prova que exerce a profissão de forma remunerada ou pertença ao Sindicato dos Jornalistas, logo se concluirá que o ciclo está fechado propositadamente.

Vejamos de novo: Para pertencer ao sindicato ou fazer prova do execício da profissão é necessário que o jornalista não seja um freelancer mas que trabalhe para um órgão dos media, pois como freelancer não tem como prová-lo a não ser pela amizade de outros dois jornalistas que façam prova de tal actividade.

Em outros países do mundo, caso do Reino Unido, EUA etc., os sindicatos aceitam a inscrição de sócios bastando que o proponente declare que faz do jornalismo profissão, como freelancer ou não.

Com a nova forma de jornalismo da era digital, antevejo que em Portugal se deparará com duas possíveis situações:
- Ou o "cidadão jornalista" será preso por "usurpação de funções" (conforme legislação portuguesa) e isso matará qualquer avanço na era digital, deixando que o poder dos media continue nas mãos dos grandes grupos ou;
- A lei portuguesa terá de ser alterada e revista a forma como o jornalismo poderá ser exercido, talvez legalizando o estuto de freelancer, o que permitirá que o caso anterior não se venha a verificar.

Deixo à vossa consideração este meu comentário, pois espanta-me verifcar o quão atrasados estamos nesta matéria.

 

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